quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Primeira Liberdade



Durante minha vida, aquela seria a primeira das muitas privações que teria da nossa tão querida e amada liberdade.  A primeira experiência de exclusão social e parcial privação de sentidos.  Este tipo de experiência nos impacta de forma tão intensa que nossa vida pode ser marcada com um antes e depois delas. Comigo, não foi diferente.

Estava deitado. A lembrança mais forte puxada pela memória abalada é que eu estava deitado.Uma escuridão total pairava sobre mim. Notei a força da ausência da luz porque, quando forcei um pouco os olhos afim de abri-los , a sensação era a mesma que se tinha ao mantê-los fechados.

Não me lembro de como fui parar naquela estranha cela. Minha mente fraquejava ao tentar resgatar um resquício que fosse, um fragmento qualquer do momento anterior ao cárcere. Instantes a mais de esforço revelaram alguns lances de imagens sem nenhuma ligação entre si: Primeiro, um milhão de vozes pareciam estarem presas no mesmo lugar, depois, as vozes foram diminuindo. Surgiu, neste ponto, a imagem em esboço de apenas duas pessoas. Um homem e uma mulher seguida de uma agitação alucinante que não distingui com perfeição.

Invasões Inomináveis.



Era seis horas da tarde...

O clima típico de verão já havia descortinado pelas ruas: Sol escaldante e tempestades repentinas. Ela me ligou, uma hora atrás, dizendo que estaria aqui em 30 minutos. Como era de se esperar, já se passou cerca de uma hora e nem sinto seu perfume primaveril: sempre se atrasa.


Minha maior preocupação vinha do fato da precisão certeira da previsão do tempo para o fim de tarde. Essa mesma previsão que sempre falhou quando me baseio em seus cálculos para partir supostamente em segurança para uma viagem. A garota do tempo disse que , no fim da noite, haveria uma pequena queda na temperatura. “ Pequena”, enfatizou ela.

Lancei meu olhar além de minhas janelas cobertas por uma fina persiana. Não acreditei na garoa finíssima que caía lá fora com muita intensidade. Meus olhos percorriam a sala. A cada minuto um novo objeto era alvo de minha inquietude acompanhado dos milhares de porquês por conta do seu atraso.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Do Sucesso ao Fim da Juventude

A Trajetória de Uma das Bandas Mais Influentes da História do Rock
Duas óperas rock que se tornaram filmes, onze álbuns de estúdio, performances inconfundíveis e inúmeras canções que marcaram época. Estes itens apenas resumem o currículo de uma das mais aclamadas e clássicas bandas imortalizadas na história do rock and roll.

Foi no verão de 1961, em Londres, ao ver um rapaz carregando seu contrabaixo nos ombros, que Roger Daltrey, guitarrista solo da banda ‘The Detous’ , resolveu convidá-lo para participar de sua banda. John Entwistle, que estava acompanhado de sua namorada no momento, aceitou a proposta. Logo no ano seguinte, com a saída de Reg Bowen, ficou vago o cargo de segundo guitarrista que, por intermédio de John, foi ocupado por um rapaz bastante magro e com um nariz de largas proporções: “Um nariz em um bastão”, foi como Roger descreveu o estudante de artes Pete Townshend. Com Townshend na segunda guitarra, John Entwistle tocando contrabaixo, Doug Sandom na bateria, Roger Daltrey como guitarrista principal e Colin Dawson nos vocais, o ‘The Detours’, que na época se apresentava em bares, logo sofreria novas mudanças: em 1963, inspirado por ‘Johnny Kidd & The Pirates’ , Daltrey demitiu Colin Dawson e assumiu o posto de ‘frontman’ , deixando a guitarra apenas para Townshend.


Pouco a pouco, o grupo de Rythm and Blues mudava de forma, assim como seu nome: ‘The Who’ , como passaram a ser chamados depois de uma reunião no apartamento de Pete com todos os membros da banda e também com seu colega de quarto Richard Barnes, que foi quem teve a ideia. Com o tempo, Pete Townshend inventava um novo estilo de tocar guitarra: seus ‘powerchords’ pesados e o ‘feedback’ causado pela sua guitarra, devido ao fato de tocar com os amplificadores num volume muito alto, o tornavam um guitarrista inconfundível. Assim o ‘The Who’ se diferenciava das outras bandas da época, mas ainda havia uma mudança a ser feita. Em 1964, Doug Sandom foi demitido e durante uma de várias apresentações com um baterista profissional contratado pela banda, um garoto que havia descolorido o cabelo a ponto de ficar ruivo, pediu para se juntar ao grupo alegando ser muito melhor que o baterista que estava em palco. Após uma demonstração, Pete, John e Roger não tinham mais dúvidas, aquela era a peça que faltava para preencher o som do ‘The Who’ . A partir de então, Keith Moon, que tocava numa banda de surf music, passou a fazer parte de uma banda inspirada pelo blues norte-americano.